Educação

Segundo a LDB, "a educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho."



Qual é o melhor método de ensino?

A questão da metodologia na educação tem sido muito discutida. Devemos ter uma escola tradicional ou construtivista? Engraçado como gostamos de dividir o mundo em dois, quando na verdade há incontáveis possibilidades.

Se digo para as pessoas que não ensino o método científico, elas estranham. Estranho, para mim, é dizer "método científico", assim, no singular. Não dá para achar que um químico segue o mesmo método que um astrólogo ou um historiador. O que há em comum, se é que há, são alguns princípios que norteiam a produção do conhecimento científico. A partir deste princípios, os pesquisadores criam ou copiam métodos consagrados. Isto é ciência. Não há um único método científico.

E na educação? Faz sentido a pergunta do título? Eu não creio. Qualquer professor minimamente experiente já aprendeu que o melhor método é variar os métodos. Discutir é bom? Claro, mas discutir toda a aula pode deixar as conclusões pouco consistentes. Aula expositiva é bom? Claro, principalmente se você tem algo importante e complexo para dizer. Passar vídeo ajuda? Sem dúvida, mas imagine se os alunos ficarem a manhã inteira vendo vídeos. Os que não dormissem seriam adestrados pela TV, ao invés de serem educados.

Ou seja: conheça muitos métodos. Saiba as possibilidades e limitações de cada um. Escolha um ou outro em virtude de seus objetivos pedagógicos, da dinâmica da classe, do tempo, logística, etc. Nao se limite a uma única forma de ensinar, pois não é assim que se aprende. O corpo "foi feito para" aprender num mundo cheio de coisas diferentes.

A própria questão da indisciplina escolar, por exemplo, está ligada a esta repetição de métodos (ou de objetivos, ou de conteúdos). Pelo menos é isso que aprendi em minha experiência como professor.

Para terminar, algumas palavras do mestre Deleuze, criador do conceito filosófico de "rizoma" (grifo meu):

"Aprender é o nome que convém aos atos subjetivos operados em face da objetividade do problema (idéia), ao passo que saber designa apenas a generalidade do conceito ou a calma posse de uma regra das soluções. (...)

Nunca se sabe de antemão como alguém vai aprender - que amores tornam alguém bom em latim, por meio de que encontros se é filósofo, em que dicionários se aprende a pensar. (...)

Não há método para encontrar tesouros nem para aprender, mas um violento adestramento, uma cultura ou paideia que percorre inteiramente todo o indivíduo (um albino em que nasce o ato de sentir na sensibilidade, um afásico em que nasce a fala na linguagem, um acéfalo em que nasce pensar no pensamento)"

DELEUZE, GILLES. (1968) Diferença e repetição. Ed Graal, pgs. 236-37

 


Fonte: Rodrigo Travitzki - topicostropicais.net


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Educar o consumo

Muito se diz sobre a importância da educação para o capitalismo. Em geral, esta importância se restringe à "produção de mão de obra qualificada". Ou seja, a educação seria responsável por moldar as engrenagens do sistema para que ele funcione bem.

Tudo bem. Isto é de fato importante, pois se o sistema não funcionar nós teremos problemas... Mas seria só essa a função de uma "educação capitalista"?

Será que as pessoas não precisam aprender a consumir, assim como aprendem física e geografia?

Como a sua escola trabalha, por exemplo, a questão do consumo ético? Você já pensou sobre isso?

Se não, aproveite para ler o texto CONSUMO ÉTICO E SOLIDÁRIO, do qual extraí o trecho que coloco abaixo:

"A sociedade capitalista contemporânea tem como característica o CONSUMISMO, que, além de provocar exclusão social, produz impactos sobre o ambiente natural e consome os recursos naturais do Planeta, colocando em risco a sustentabilidade das gerações presentes e futuras.

Conforme dados do relatório do Programa de Desenvolvimento Humano da ONU intitulado Consumo para o Desenvolvimento Humano, enquanto os 20% mais ricos da população mundial são responsáveis por 86% do total de gastos em consumo privado, os 20% mais pobres respondem apenas por 1,3%. Conforme o documento, "bem mais de um bilhão de pessoas estão privadas de satisfazer suas necessidades básicas de consumo".

O mito do consumo é posto como sinônimo de felicidade e bem estar, meta prioritária do crescimento e do processo civilizatório, com o pensamento de que o prestígio social depende da sua capacidade de gastar, consumir e acumular bens, ainda que supérfluos. A mídia cria modas, modismos e necessidades desnecessárias."

No mesmo site, do Fórum Brasileiro de Economia solidária, encontramos um farejador de empreendimentos solidários, que você pode usar para encontrar oções de consumo mais consciente que estejam próximas da sua cidade.

 

Consumo ético

O que é consumo ético? É aquela velha estória: as famosas "leis de mercado" são controladas por nossas escolhas de consumo. Precisamos estar sempre atentos a isso, e não apenas buscando o menor preço para "controlar a inflação". Uma iniciativa interessante é o Farejador de economia solidária do FBES. Leia também sobre a questão do custo ambiental.

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Educação para a democracia: alguns princípios

Um esforço sempre presente à prática da autoridade coerentemente democrática é o que a torna quase escrava de um sonho fundamental: o de persuadir ou convencer a liberdade de que vá construindo consigo mesma, em si mesma, com materiais que, embora vindo de fora de si, sejam reelaborados por ela, a sua autonomia. É com ela, a autonomia, penosamente construindo- se, que a liberdade vai preenchendo o “espaço” antes “habitado” por sua dependência. Sua autonomia que se funda na responsabilidade que vai sendo assumida.” Paulo Freire1

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