"Se a boa educação é cara, a má educação é ainda mais cara", diz o filósofo Fernando Savater

Ter, 20 de Janeiro de 2009 00:00 Rodrigo Travitzki Princípios filosóficos
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Fernando Savater, professor de ética da Faculdade de Filosofia da Universidade de Madri, faz reflexões pertinentes em entrevista na Revista Educação.

Trechos selecionados para o Rizomas

"Pede-se que os professores resolvam os problemas de intolerância, de xenofobia, porém não lhes dão meios para isso"

"os professores, praticamente em todos os países, estão um pouco abandonados pela sociedade. A sociedade não lhes dá ouvidos"

"Há países, como o Brasil, que não têm recursos, porque a boa educação é uma educação cara. Mas é possível renunciar a educar os jovens e as crianças? Se a boa educação é cara, a má educação é ainda mais cara. Por isso é vital convencer a sociedade da importância da educação. A educação exige um desembolso econômico considerável, exige uma boa preparação dos professores, exige todo um compromisso social."

"devemos educar os filhos, porque educar os pais é impossível"

O papel da educação hoje

"Creio que a educação tenha certamente de transmitir conhecimentos, conhecimentos reais, não basta somente aprimorar habilidades. Porém, por outro lado, devido ao fato de os conhecimentos atuais mudarem muito, se ampliarem, hoje o importante é ter uma disposição capaz de refletir sobre a informação. (...) ter uma mente capaz de ordenar o que sabe, e não uma mente simplesmente cheia de dados e de notícias."

"Como se educa para a tolerância?"

"Não há método único. A tolerância tem que ser um princípio das sociedades pluralistas (...) Tolerar não é considerar que tudo é igual, que tudo é bom (...) Pelo contrário. Tolerar é saber que em uma sociedade plural, aberta, sempre temos de conviver com coisas de que não gostamos totalmente ou de que gostamos muito pouco. (...) temos de tolerar; naturalmente, sempre dentro dos parâmetros da lei, dentro daquilo que é admissível, porque existem coisas intoleráveis como a violência, a exploração."

Paradoxos espanhóis lembram os brasileiros

"a Espanha é um dos países que menos investe em educação (na Europa), que menos investe por aluno. (...) Existem alguns paradoxos, pois a escola privada funciona bem, mas recebe fundos públicos, e é muito difícil que aceitem alunos vindos de outros país, com problemas (...). Assim, a escola pública fica sobrecarregada, inchada com todos esses casos especiais, para os quais não tem formação suficiente..."

Filosofia e educação

"A filosofia sempre se ocupou da educação. Platão, na República, já insistia nesse tema. (na era moderna) Locke e Rousseau. Mas não sei por que motivo, nos últimos 50 anos se torna cada vez mais difícil encontrar pessoas interessadas no assunto, justamente numa época em que a educação se tornou um tema particularmente interessante."

Sobre o partido que está ajudando a fundar
(União, Progresso e Democracia)

"a educação pública e laica é um dos pilares do partido. Queremos promover todo o potencial de uma educação pública e laica de primeira qualidade para os nossos estudantes."

Fonte: "Abertura para o mundo",
Revista Educação
11(28), Dez 2007

Última atualização em Ter, 01 de Setembro de 2009 22:59